Demência essêncial

Onde quer que nos encontremos, são os nossos amigos que constituem o nosso mundo - William James

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Já não se pode falar...

Já não há pachorra!
Discute-se o acessório e o essencial acaba irremediávelmente eclipsado.
Esta campanha eleitoral para as eleições presidenciais de janeiro próximo é nesta altura a imagem de um país á deriva.
a bandalheira é generalizada, o insulto e a calúnia são denominadores constantes e os lugares comuns de uma farsa com tons Kitsch.
Até agora não há um único candidato que não tenha do alto das suas excelsas inteligências misturado e confundido o poder presidencial inscrito na constituição com o poder executivo do (des)governo, o poder legislativo do mesmo governo e da assembleia da república e havendo mesmo dois deles que não se coibiram de opinar sobre o poder judicial, pasme-se falam estes senhores em democracia.
Democracia não pode nem deve ser em circunstância alguma um sistema onde tudo possa ser posto em causa, tem de existir áreas sensivéis que terão de ser blindadas. Óbviamente a magistratura terá de ser uma delas, não podendo no entanto em circunstância alguma os juizes deixarem de ser justo para passarem a ser justiceiros e muito menos imiscuirem-se no poder político para evitar Repúblicas de Juízes como já aconteceu em alguns locais.
Mas passando adiante desde o início da campanha que se falavam sobre os mais diversos aspectos do quotidiano nacional, tudo temas certamente interessantes mas não essenciais para o desenvolvimento premente da nação. Ele era de novo a regionalização, ele era o aborto, ele era o novo aeroporto, o TGV, a alteração á constituição com o reforço dos poderes presidenciais, etc...
Todos falavam, não diziam nada de útil, mas falavam.
Todos?!
Todos não. Havia um que primava pelo silêncio sabendo que se falasse tudo lhe caíria em cima e rapidamente desgastaria a sua imagem.
Sim porque isto neste país gosta-se de quem é arruaceiro, do chico-esperto e da grosseria.
O Professor no entanto falou. E a partir dessa altura era ver todos os outros candidatos a dizerem dele aquilo que os muçulmanos não dizem do chouriço.
Só porque deu uma opinião relativamente a um assunto que até poderia ser de somenos importância á 1ª vista. Um responsável especial pelo acompanhamento da evolução do investimento estrangeiro no país á semelhança do que acontece na maioria dos países da UE e em alguns fora dela e chamados de 3º mundo.
A sorte é que mesmo havendo muita gente neste país que se delicia com os big Brother's e as Companhias de Militares já existe muita gente com um minimo de sentido de responsabilidade e de bom senso e assim em janeiro lá serão os mal educados, arruaceiros e mal dizentes castigados nas urnas como devem ser.
Um feliz 2006 para todos nós com votos de prosperidade e desenvolvimento social e humano, já o merecemos apesar das asneiras de muito inútil bem falante nos ultimos 30 anos.