Mitos Culturais - O início
Nos dias de hoje existe um consenso recorrente no pensamento europeu que advoga a primazia da esquerda sobre a direita em termos culturais, querendo fazer querer que a maioria dos agentes culturais são de matriz esquerdista.
Nada mais errado. Seria fácil referenciar pensadores e ideólogos de esquerda dos nossos dias bem como o seria também para pensadores com ideais de direita.
Pessoalmente alerto já que a grande maioria deles não são do meu agrado, quer á esquerda por antipatizarem com o demo-liberalismo e namoriscarem o comunismo, quer á direita também pela antipatia mostrada para com mesmo demo-liberalismo e consequente simpatia pelo fascismo.
Onde se encontra então a diferença que tem permitido a esta esquerda arcaica e obsoleta da Velha Europa propagandear esta não-verdade?
A diferença encontra-se na forma de interpretação dos factos. Um ideólogo de direita tem sempre de fazer alarde da sua antipatia fascista para poder ser no minímo respeitado, consequência do fenómeno europeu e fugaz que foi o fascismo, enquanto os de esquerda não necessitam de se demarcar do fenómeno comunista, que teve uma propagação planetária e ainda está presente nos dias de hoje sendo que este mesmo comunismo cometeu muitas mais barbaridades no seu percurso que o fascismo. O fascismo no entanto desapareceu fruto de uma aliança entre o ocidente de matriz liberal e o comunismo, o que transformou o antifascismo no grande consenso das sociedades democráticas contemporâneas.
A verdade é que a esquerda autoritarista sempre defendeu uma forte intervenção do estado sobre tudo, e assim também incluíndo a arte da criação livre. O exemplo mais gritante de tudo isto é o do princípe Leopoldo que na sua corte protegeu, incentivou e glorificou Bach, por livre arbitrio e discricioniedade do poder político para distribuir meios para fins artísticos, fazendo surgir o "princípio do princípe".
Surge aqui portanto um paradoxo, a esquerda que tanto abomina (em teoria) o autoritarismo não hesita em utilizá-lo para fomentar um meio cultural onde a sua mundividência surge como ponto de partida e glorificação final.
É neste ponto que a direita ainda não percebeu que precisa de se libertar do estigma que a persegue, entender que não é detentora do monopólio de horrores que a esquerda propagandeia, não devendo por isso assumir um complexo de menoridade. É sua obrigação libertar-se desses fantasmas, desfazer o consenso do antifascismo que a mantém num gueto, e que assim vem limitando a liberdade e o pluralismo politíco e cultural da sociedade contemporanêa. Não poderá querer desdramatizar o fascismo, que enquanto fenómeno politíco-social foi um erro crasso da história recente, mas tão somente mostrar que não existem inocentes nesta matéria e que o fascismo não é o único horror.
Isto seria a obrigatoriedade da esquerda mesquinha fazer um exercício de humildade fazendo-a descer do se pedestal e perder a sua moralidade arrogante.
No fundo entenda-se, a dreita está do lado da "liberdade" enquanto a "autoridade" se encontra do outro.
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