Demência essêncial

Onde quer que nos encontremos, são os nossos amigos que constituem o nosso mundo - William James

quarta-feira, novembro 16, 2005

As vaidades do primeiro ministro

Pensava eu que os tempos idos do Pe. António vieira estavam enterrados nas ruínas da independência do reino do Brasil, nas lutas liberais e no últimato da nossa velha aliada Inglaterra.
Nada mais erróneo. Estão vivos e (in)felizmente propagam-se mais rápidamente que a famigerada gripe das aves.
Vº império, porque antecedido pelos impérios romano, grego, persa e caldeu. Vº e último, como na visão da estátua monumental, símbolo dos 4 impérios citados, formada por um cabeça de ouro, peito e braços de prata, ventre e coxas de bronze, pés de ferro e argila, esmagada por uma pedra monumental, que ocupou o lugar da estátua. Visão sonhada por Nabucodonosor, desvelada e revelada pelo profeta Daniel.
O Vº Império seria Portugal e se iniciaria no ano de 1666. Seu líder temporal seria D. João IV, enquanto na esfera espiritual reinaria Cristo. O Vº Império seria a unificação do mundo, com a redenção do povo hebreu, a aceitação dos indígenas americanos e a aniquilação dos mouros e protestantes. Império católico, universal; "um só rebanho, um só pastor".
Esta visão messiânica de Portugal encaixava-se numa politíca económica de ostentação.
Eis que nos nossos dias revelou-se o novo imperador, Eng. José Sócrates. Ele borrifou-se tanto para o choque tecnológico como para as outras 47893 promessas eleitorais, nisso é um homem coerente, faça-se justiça. Manteve aquelas que nunca deviam ter sido proferidas, algumas delas mesmo contra a sua consciência, mas as mais graves afiguram-se-me a construção do novo aeroporto da OTA e o TGV, não se coibindo para alcançar o seu desejo faraónico de demitir um ministro que não concordava, demitir a direcção da Caixa Geral de Depósitos que não apoiava estas medidas, de fazer desaparecer os estudos que não suportavam estas ideias e encomendar outros á antiga empresa do ministro Lino, de desconsiderar inúmeros especialistas que com dados concretos se opunham, só faltou enviá-los para o Iraque para fazerem patrulhas de manutenção de paz munidos com imagens de Cristo e presuntos, salames e garrafas de tinto como armamento para manter as relações de boa vizinhança com os árabes fundamentalistas.
Nações normais preferem procurar a prosperidade, mediante o trabalho diário dos seus cidadãos. Portugal resplandeçe á custa de um desígnio nacional, seja uma Expo, 10 estádios de bola, 2 capitais europeias de cultura, desde que se gaste muito erário público, mesmo sem proventos visíveis mas que permita o retomar da "confiança" que recorrentemente falta ao povo.
Os outros trabalham para criar riqueza, nós contentamo-nos a estragar a pouca que temos. Assim se entende a fixação em construir um aeroporto(3 mil milhões) no meio do nada e um comboio (14 mil milhões) que serve ninguém.
com a Expo e o Euro ignorámos as calamidades subsequentes e partímos rumo ao desígnio seguinte, qual fuga para a frente. Agora até 2013 e 2015 temos obra... Primeiro-ministro já não teremos por essa altura, que será quando chegará a factura destas alucinações e perceber-mos a monumental fraude que estes empreendimentos constituem.
Estaremos certamente é numa situação económica, política e social muito semelhante ao dos países democráticos do 3º mundo, ou será do 4º?