As vaidades do primeiro ministro
Pensava eu que os tempos idos do Pe. António vieira estavam enterrados nas ruínas da independência do reino do Brasil, nas lutas liberais e no últimato da nossa velha aliada Inglaterra.
Nada mais erróneo. Estão vivos e (in)felizmente propagam-se mais rápidamente que a famigerada gripe das aves.
Vº império, porque antecedido pelos impérios romano, grego, persa e caldeu. Vº e último, como na visão da estátua monumental, símbolo dos 4 impérios citados, formada por um cabeça de ouro, peito e braços de prata, ventre e coxas de bronze, pés de ferro e argila, esmagada por uma pedra monumental, que ocupou o lugar da estátua. Visão sonhada por Nabucodonosor, desvelada e revelada pelo profeta Daniel.
O Vº Império seria Portugal e se iniciaria no ano de 1666. Seu líder temporal seria D. João IV, enquanto na esfera espiritual reinaria Cristo. O Vº Império seria a unificação do mundo, com a redenção do povo hebreu, a aceitação dos indígenas americanos e a aniquilação dos mouros e protestantes. Império católico, universal; "um só rebanho, um só pastor".
Esta visão messiânica de Portugal encaixava-se numa politíca económica de ostentação.
Eis que nos nossos dias revelou-se o novo imperador, Eng. José Sócrates. Ele borrifou-se tanto para o choque tecnológico como para as outras 47893 promessas eleitorais, nisso é um homem coerente, faça-se justiça. Manteve aquelas que nunca deviam ter sido proferidas, algumas delas mesmo contra a sua consciência, mas as mais graves afiguram-se-me a construção do novo aeroporto da OTA e o TGV, não se coibindo para alcançar o seu desejo faraónico de demitir um ministro que não concordava, demitir a direcção da Caixa Geral de Depósitos que não apoiava estas medidas, de fazer desaparecer os estudos que não suportavam estas ideias e encomendar outros á antiga empresa do ministro Lino, de desconsiderar inúmeros especialistas que com dados concretos se opunham, só faltou enviá-los para o Iraque para fazerem patrulhas de manutenção de paz munidos com imagens de Cristo e presuntos, salames e garrafas de tinto como armamento para manter as relações de boa vizinhança com os árabes fundamentalistas.
Nações normais preferem procurar a prosperidade, mediante o trabalho diário dos seus cidadãos. Portugal resplandeçe á custa de um desígnio nacional, seja uma Expo, 10 estádios de bola, 2 capitais europeias de cultura, desde que se gaste muito erário público, mesmo sem proventos visíveis mas que permita o retomar da "confiança" que recorrentemente falta ao povo.
Os outros trabalham para criar riqueza, nós contentamo-nos a estragar a pouca que temos. Assim se entende a fixação em construir um aeroporto(3 mil milhões) no meio do nada e um comboio (14 mil milhões) que serve ninguém.
com a Expo e o Euro ignorámos as calamidades subsequentes e partímos rumo ao desígnio seguinte, qual fuga para a frente. Agora até 2013 e 2015 temos obra... Primeiro-ministro já não teremos por essa altura, que será quando chegará a factura destas alucinações e perceber-mos a monumental fraude que estes empreendimentos constituem.
Estaremos certamente é numa situação económica, política e social muito semelhante ao dos países democráticos do 3º mundo, ou será do 4º?
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